Nós apresentamos este tema como um problema de saúde e sofrimento humano. Nosso objetivo é evitar explicações simplistas e colocar atenção no sujeito, em seus vínculos e nas forças sociais que o atravessam.
Com base no estudo de Tessaro & Ratto, ressaltamos que “nomear” sinais não esgota o fenômeno. É preciso olhar a trajetória, o impacto na percepção de futuro e na organização cotidiana.
Neste artigo oferecemos compreensão clara e orientação prática. Apresentamos panorama epidemiológico, conceitos e modelos de cuidado, incluindo redução de danos e caminhos para recompor projetos de vida.
Comprometemo-nos a falar com rigor e acolhimento. Famílias e pessoas em sofrimento encontrarão informações seguras, sem promessas de cura imediata, mas com caminhos para cuidado e suporte.
Panorama do fenômeno no Brasil e no mundo: por que falar de drogas e projetos de vida
Os números internacionais oferecem um ponto de partida para compreender a extensão do fenômeno.

Estimativas da WHO (2012) indicam que entre 3,4% e 6,6% da população mundial faz uso de drogas ilícitas.
Entre 10% e 13% apresentam problemas de dependência ou abuso. Substâncias psicoativas respondem por cerca de 1 em 100 mortes de adultos.
“Percentuais globais não esgotam histórias locais; eles sinalizam urgência e direcionam políticas.”
Limites das estatísticas e significados locais
As estatísticas ajudam, mas também achatam realidades diversas.
Em contextos de desigualdade, violência e baixo acesso a cuidado, o impacto no trabalho, estudo e vínculos é maior.
| Indicador | Estimativa WHO (2012) | Impacto cotidiano |
|---|---|---|
| Uso | 3,4%–6,6% | Precarização de rotinas de estudo e trabalho |
| Dependência/abuso | 10%–13% entre usuários | Rupturas de vínculos e piora da saúde |
| Mortes atribuídas | 1% das mortes adultas | Impacto demográfico e social |
- Nós traduzimos números para efeitos na vida de pessoas e usuários.
- Alertamos que dados mundiais são insuficientes para explicar trajetórias locais.
- Prepararemos o recorte brasileiro nas próximas seções.
Dependência química como “sinais e sintomas”: o que a linguagem explica e o que ela não alcança
Compreender a dependência química exige distinguir nomear do explicar. Nós reconhecemos que a forma clínica organiza cuidado e comunicação. Ao mesmo tempo, não esgota a história única de cada pessoa.
Sinais e sintomas são cruciais para diagnóstico e intervenção. Eles orientam tratamento e medidas de segurança. Porém, não capturam perdas graduais, mudanças de sentido ou alterações de vínculos.

Toxicomanias como fenômenos complexos
As toxicomanias mostram múltiplas causas e trajetórias não lineares. Resultados não são totalmente controláveis; é preciso aceitar incerteza na prática clínica.
- Nós explicamos que o termo ajuda, mas evita reduzir a pessoa a um rótulo.
- Diferenciamos diagnóstico — um instrumento — da experiência existencial — uma história.
- Propomos focalizar a relação sujeito-droga para explicar por que situações levam alguns a desistir de metas e outros a recompor caminhos.
Essa visão amplia a análise e orienta intervenções que respeitam a singularidade, promovendo cuidado mais humano e eficaz.
Drogas e abandono de sonhos e projetos pessoais
O uso prolongado pode redesenhar prioridades, fazendo o cotidiano girar em torno da busca pela próxima dose.

Como o uso reconfigura prioridades, sentido e futuro percebido
Nós observamos que o consumo desloca metas antes centrais — estudo, trabalho, família — para rotinas de curto prazo.
Futuro percebido é a diminuição das possibilidades imaginadas: escolhas parecem respostas ao impulso, não decisões planejadas.
Da ideia de “controle” ao empobrecimento de opções
Muitos relatam a fantasia do controle: “eu paro quando quiser”.
Na prática, a repetição do uso estreita a autonomia e reduz alternativas reais. Isso altera comportamentos e corta caminhos que sustentavam sentido de vida.
O “outro lado” da dependência: perdas invisíveis e rupturas graduais
“Perdas pequenas se acumulam: queda de rendimento, hobbies abandonados, isolamento afetivo.”
- Nós destacamos rupturas graduais em vínculos e rotinas.
- Mostramos perdas que não aparecem de uma vez, mas corroem autoestima.
- Propomos ver o tratamento como processo de restauração de escolhas e projetos.
Conclusão: reconhecer o outro lado ajuda famílias a identificar sinais precoces sem moralizar. O cuidado deve promover singularização e recuperar autonomia ao longo do tempo.
Questão de pesquisa e objetivos do estudo: relação sujeito-droga e projeto existencial
Nossa pesquisa pergunta como a relação entre sujeito e substância se articula ao projeto existencial. Queremos entender por que alguns trajetos levam à interrupção de metas e quando surgem possibilidades de retomada.
Problema, objeto e relevância social
Problema: padrões de uso que mudam prioridades e fragilizam vínculos.
Objeto: uma leitura teórico-exploratória da relação sujeito-substância, útil para clínica, família e políticas públicas. Não se trata de pesquisa experimental, mas de interpretação dirigida.
Relevância: o tema impacta saúde mental, educação, segurança pública e redes familiares. Nossa atenção é social e ética.
Hipóteses interpretativas: sofrimento, autonomia e “linhas de fuga”
Hipóteses centrais: o sofrimento orienta tentativas de regulação pela substância. Em muitos casos, o uso aparece como busca de pertencimento ou alívio.
Linhas de fuga são estratégias de sobrevivência que também indicam possíveis pontos de intervenção. Tessaro & Ratto ressaltam que pacientes usam serviços de saúde para criar novos sentidos, mesmo quando o cuidado foca a doença.
- Compromisso ético: compreender não equivale a desculpar. Buscamos reduzir estigma e abrir caminhos realistas de cuidado.
Delimitação temporal e recorte contextual: passado recente e consolidação do debate público
No último período, o debate público sobre uso de substâncias ganhou centralidade nas agendas políticas e sociais.
Nós delimitamos o “passado recente” como a fase em que disputas entre cuidado em rede e respostas centrais de controle se intensificaram.
Por que considerar o momento histórico
O momento importa porque leis, políticas e discursos moldam a forma como a pessoa é vista e tratada.
Mudanças institucionais alteram oferta de serviços e expectativas familiares muitas vezes antes mesmo do início do tratamento.
Mundo contemporâneo e forças que atravessam o sujeito
No mundo atual, aceleração, precarização e isolamento criam vulnerabilidades que afetam escolhas de vida.
Estigma e criminalização são forças que empurram problemas para a clandestinidade e dificultam adesão ao cuidado.
| Fator histórico | Impacto na situação individual | Consequência prática |
|---|---|---|
| Legislação e políticas | Muda acesso a serviços | Barreiras institucionais à reabilitação |
| Discursos midiáticos | Estigmatiza usuários | Expectativas de soluções rápidas |
| Transformações sociais | Precarização e isolamento | Aumento de vulnerabilidades |
Amarramos esse recorte ao objetivo do artigo: a nossa análise busca entender desistências e retomadas considerando o campo social e institucional.
Desenho metodológico: artigo teórico-exploratório com revisão bibliográfica e vinhetas
Optamos por um caminho metodológico que combina revisão bibliográfica crítica e vinhetas clínicas. Essa forma permite aprofundar conceitos sem buscar conclusões estatísticas definitivas.
Revisão e critérios de seleção
Fizemos uma revisão centrada em Gestalt-terapia, fenomenologia e existencialismo. Selecionamos obras por credibilidade, relevância teórica e fidedignidade ao corpo teórico.
Composição ensaística e vinhetas
Adotamos um formato ensaístico inspirado em Larrosa (ed., 2004). Vinhetas descrevem experiências e situações clínicas.
- Vinhetas servem como disparadores de análise, não como prova estatística.
- Elas ilustram padrões e ajudam a construir hipóteses interpretativas.
Limitações e alcance
Este estudo propõe hipóteses e pistas para cuidado. Não pretende fazer generalizações causais ou previsões individuais.
“O método oferece sinais interpretativos que ajudam o contato clínico e a prática familiar.”
| Item | Função | Limite |
|---|---|---|
| Revisão bibliográfica | Fundamentar a análise | Não substitui dados empíricos |
| Vinhetas clínicas | Ilustrar experiências | Não provar causalidade |
| Ensaio interpretativo | Gerar hipóteses | Alcance local e teórico |
Orientação prática: famílias podem usar este estudo como base para diálogo com equipes. Esse material dá ajuda na leitura das situações e no suporte ao processo de cuidado.
Lentes fenomenológico-existenciais: os “óculos” que orientam a análise
Nossa visão prioriza a descrição da experiência antes de encaixar explicações prontas. Assim, damos espaço para ambivalências e contradições que acompanham o uso.
Fenomenologia: descrição e suspensão de juízos
Nós descrevemos o que a pessoa vive. Isso ajuda a entender comportamentos sem reduzir a história a um diagnóstico imediato.
Existencialismo: liberdade, responsabilidade e sentido
A perspectiva existencial equilibra liberdade e limites reais. Ela mostra como o sentido é construído mesmo em condições adversas.
Subjetividade e ser-no-mundo
Subjetividade é a realidade: o que o sujeito sente orienta decisões clínicas, recaídas e pedidos de ajuda.
Enfatizamos o ser-no-mundo: a relação entre sujeito, substâncias e contexto define possibilidades de cuidado.
- Escuta descritiva em vez de rótulos.
- Construção de metas viáveis junto à família.
- Atenção ao que a substância “resolve” temporariamente.
| Lente | O que foca | Implicação prática |
|---|---|---|
| Fenomenologia | Descrição da experiência | Escuta ativa e acolhimento |
| Existencialismo | Liberdade e sentido | Metas graduais e responsabilização |
| Subjetividade | Percepção da pessoa | Plano terapêutico centrado no sujeito |
Conclusão: essa visão amplia formas de cuidado para usuários drogas e suas famílias, promovendo diálogo e menos respostas automáticas.
Contribuições da Gestalt-terapia para compreender dependência e desistências
A Gestalt-terapia desloca o foco do indivíduo isolado para a relação entre sujeito e campo. Nós argumentamos que a dependência não se explica apenas pela biologia. É preciso ver como o ambiente, os vínculos e as opções disponíveis participam do problema.
Teorias de base: campo, holismo e visão organísmica
As bases gestaltistas — teoria de campo, holismo e visão organísmica — mostram a pessoa como parte de um sistema. Assim, qualquer intervenção atua na forma como o sujeito se insere no mundo.
Figura e fundo: quando a droga vira figura
Usamos a metáfora figura-fundo para explicar mudanças de prioridade. Em períodos críticos, a droga assume a figura: torna-se foco de atenção e esforço.
Enquanto isso, o projeto de vida passa ao fundo: perde visibilidade e energia. Essa inversão contribui para a desistência gradual de metas.
Contato, ajustamentos e comportamentos adictos no cotidiano
Contato refere-se à maneira como a pessoa acessa sensações, relações e recursos. Ajustamentos são respostas que regulam dor, ansiedade e solidão.
Comportamentos adictos surgem como forma aprendida de ajuste. Não são mera teimosia; são padrões reforçados que reduzem repertório de escolha.
- Nós mostramos como reforçar contato com alternativas.
- Propomos ajustes clínicos que recuperem rotina, vínculos e metas graduais.
“Intervir no contato é reabrir possibilidades; a clínica devolve figura ao projeto.”
Epidemiologia no Brasil: dependência por substância e implicações para trajetória de vida
Olhar os percentuais por tipo de substância torna mais claro onde atuar em prevenção e tratamento. A leitura epidemiológica ajuda famílias e serviços a priorizar intervenções e a entender riscos no cotidiano.
Estimativas por substância (Carlini et al., 2005)
Os dados mostram dependência de álcool em 12,3% da amostra e de tabaco em 10,1%. Maconha aparece em 1,2% e benzodiazepínicos em 0,5%.
Solventes/inhalantes e estimulantes registraram 0,2% cada. Esses percentuais indicam carga populacional alta para álcool e tabaco, mesmo quando o consumo é considerado socialmente aceitável.
Uso de crack nas capitais (Fiocruz, 2013)
Fiocruz estimou cerca de 370 mil usuários de crack e derivados nas capitais e no DF. Esse dado evidencia urgência para redes de cuidado e estratégias de redução de danos.
“Números não determinam destino individual, mas sinalizam onde fortalecer prevenção e tratamento.”
| Substância | Dependência (%) | Implicação |
|---|---|---|
| Álcool | 12,3 | Alto impacto populacional |
| Tabaco | 10,1 | Risco contínuo e crônico |
| Maconha | 1,2 | Varia conforme idade e contexto |
Nós reforçamos: consumo precoce e intenso aumenta chances de interrupção escolar e laboral. Estatística orienta políticas, mas o cuidado exige atenção à história de cada pessoa.
Variações regionais e recorte do Sul: Porto Alegre e entorno como cenário de análise
No Sul, as prevalências apresentam perfis próprios que exigem respostas locais.
Segundo Carlini et al. (2005), na Região Sul o tabaco alcança 10,7% e o álcool 9%. Maconha, estimulantes e benzodiazepínicos aparecem com valores menores. Esses números indicam prioridades distintas para prevenção e planejamento territorial.
Contexto urbano e redes de cuidado
Em Porto Alegre, a oferta de substâncias convive com desigualdades que aumentam vulnerabilidades.
O acesso fácil a substâncias e a dificuldade de acesso a serviços afetam adesão ao tratamento e frequência de recaídas.
Portas de entrada e complementaridade dos serviços
Há múltiplas portas de entrada: hospital geral com leitos para toxicomania, telessaúde e ONGs, conforme Tessaro & Ratto.
- Serviços distintos atendem demandas diferentes e podem se complementar.
- Barreiras práticas — horários, distância, falta de vagas — prejudicam circulação dos usuários.
- Planejamento local é essencial para articular prevenção, tratamento e suporte familiar.
“Planejar por território evita respostas genéricas e melhora adesão ao cuidado.”
Crianças e adolescentes em situação de rua: riscos, consumo diário e ruptura com projetos
A presença de crianças nas ruas revela rotinas de sobrevivência que acentuam o risco de consumo diário. Nós apresentamos dados para mostrar a gravidade do fenômeno.
Uso diário no Brasil e na Região Sul (Noto et al., 2003)
No Brasil, 49,5% das crianças e adolescentes em situação de rua relataram uso diário.
Na Região Sul, os índices sobem: 82,5% usam diariamente e 95,6% consumiram no último mês (Noto et al., 2003).
Ruptura de laços e impacto no sentido de futuro
O rompimento com a família muda o sentido de futuro. Projetos longos perdem espaço para metas imediatas de sobrevivência.
“Tempo na rua reconfigura prioridades: o horizonte encurta e a continuidade escolar se fragiliza.”
Trajetórias: tempo curto, sobrevivência e pouca escola
- Nós destacamos que o tempo vivido na rua é marcado por urgência e risco.
- O consumo precoce aumenta vulnerabilidade a violência, exploração e agravamentos de saúde mental.
- Reinserção exige ação intersetorial: saúde, assistência social, educação e proteção.
Tratamos o tema sem estigma. Nossa perspectiva aponta para cuidados que priorizem segurança, redução de riscos e reconstrução gradual de vínculos.
Família, estigma e discursos prontos: como se produz a demanda por “cura”
Muitas famílias chegam às consultas com uma solução pronta e urgente para o problema.
Expectativas de internação e medicação
Nós observamos falas comuns: “preciso resolver a internação primeiro”, “ele precisa de remédio”.
Essas demandas surgem muitas vezes do medo e da exaustão. Internação e medicação podem ser úteis em momentos críticos. Porém, sozinhas, não reconstroem vínculos nem promovem reinserção no território.
Vergonha, isolamento e atribuição do problema à pessoa
O estigma faz o problema parecer apenas da pessoa. Isso gera vergonha, ocultamento e isolamento.
Consequência: menor adesão a cuidado e rupturas nas relações familiares.
- Nós orientamos transformar pedidos de controle em pedidos de cuidado: segurança, limites e acolhimento.
- Nós sugerimos perguntas práticas para equipes: quais metas de curto prazo? Qual rede local de suporte?
| Expectativa familiar | Risco | Alternativa de cuidado |
|---|---|---|
| Internação imediata | Descolamento do território | Avaliação integrada e plano territorial |
| Remédio como solução | Falsa sensação de cura | Medicação acompanhada de terapia |
| Isolamento do dependente | Ocultamento e recaída | Acolhimento familiar e pactos claros |
Modelos de cuidado em disputa: controle, hospitalização e práticas manicomiais
Na arena de cuidado, disputam-se respostas que variam entre o fechamento institucional e ações comunitárias. Essas opções afetam diretamente a adesão ao tratamento e a autonomia dos usuários.
Críticas de conselhos profissionais sobre estigmatização e criminalização
Nós registramos alertas de conselhos que criticam abordagens punitivas. O estigma e a criminalização afastam pessoas do cuidado e aumentam sofrimento.
Serviços privados e risco de lógicas asilares (Passos, 2010)
Passos (2010) aponta que serviços privados podem reproduzir práticas manicomiais. Isso gera isolamento e violação de direitos, mesmo quando há intenção terapêutica.
O descompasso entre necessidades do usuário e modelos de acolhimento (Goldman et al., 2010)
Goldman et al. (2010) descrevem um descompasso: modelos inflexíveis não respondem à complexidade das vidas. Assim, o usuário some do serviço ou retorna em crise.
Proibicionismo e “pedagogia do controle” como obstáculo à prevenção (CRPSP, 2012)
O CRPSP (2012) alerta que o proibicionismo e a pedagogia do controle bloqueiam prevenção autêntica. Medidas punitivas fomentam silêncio e impedem estratégias de redução de risco.
- Nós mapeamos modelos de cuidado e seus impactos.
- Indicamos cuidado ético: avaliar propostas por segurança, continuidade e respeito aos direitos.
Redução de danos, abstinência e tratamento: estratégias e efeitos sobre autonomia
Quando tratamos o uso como processo, abrimos espaço para ajustes e recomeços. Nosso foco é a segurança e a autonomia, não um prêmio por pura abstinência.
Quando a abstinência é meio, não fim: adesão, recaída e processo
Abstinência pode ser necessária para algumas pessoas. Entretanto, funciona melhor quando é parte de um plano que reorganiza rotina e vínculos.
Normalizamos a recaída como dado frequente. Ela vira material clínico para ajustar metas sem culpa nem abandono do cuidado.
Redução de danos como abordagem de cuidado e reconstrução de rotinas
A redução de danos protege a vida e restabelece pequenos contatos com o cotidiano. Promove rotinas básicas—sono, alimentação, higiene—e diminui riscos imediatos.
- Evitar misturas de substâncias.
- Diminuir frequência do uso.
- Rede de contato em crise e suporte contínuo.
Tratamento como projeto: metas graduais e reorganização da vida
Vemos o tratamento como projeto. Definimos metas graduais, revisáveis e alinhadas à autonomia possível no momento.
“Metas pequenas e alcançáveis constroem adesão e confiança.”
| Estratégia | Objetivo | Impacto prático |
|---|---|---|
| Abstinência programada | Segurança médica | Redução de risco agudo |
| Redução de danos | Proteção da vida | Retorno gradual a rotinas |
| Projeto terapêutico | Autonomia | Metas graduais e rede de apoio |
Nós orientamos famílias: comunique sem acusações, combine limites claros e incentive acompanhamento. Pequenos passos consolidam processos maiores de reorganização da vida.
Recomposição de sonhos e projetos pessoais: caminhos de reabilitação psicossocial
Recompor um projeto de vida começa quando a pessoa deixa de ser vista apenas como um dependente e volta a ser reconhecida como sujeito em processo.
Singularização e retomada de escolhas: do “dependente” à pessoa em processo
Nós defendemos a singularização como prática clínica. Isso implica construir metas compatíveis com recursos e limites reais.
Revisar expectativas familiares e criar espaços de escolha reduz padrões repetitivos do uso. A pessoa ganha voz nas decisões do tratamento.
Trabalho, estudo e vínculos: indicadores práticos de reengajamento com o futuro
Indicadores claros sinalizam reengajamento: retorno gradual ao trabalho ou ao estudo, reativação de vínculos e participação em atividades comunitárias.
Tais sinais permitem ajustar o projeto terapêutico e fortalecer a autonomia sem pressa.
Tempo, recaídas e continuidade do cuidado: sustentação do projeto de vida
Tempo é componente terapêutico. Mudanças profundas exigem continuidade do cuidado e pactos realistas.
Tratamos recaídas como dados úteis: plano de crise, rede de suporte e retomada rápida do acompanhamento evitam desorganizar o processo.
- Autonomia: pactuar responsabilidades e oferecer suporte consistente.
- Metas pequenas e revisáveis para manter aderência.
- Rede integrada para sustentar o projeto de vida no longo prazo.
Implicações para políticas públicas e pesquisa: o que este estudo ajuda a enxergar daqui em diante
Este estudo sintetiza como a leitura fenomenológico-existencial e gestáltica vê a relação e o campo social na dependência, não apenas uma falha individual.
Propomos que políticas públicas e a saúde coletiva fortaleçam redes territoriais, garantam continuidade do cuidado e adotem práticas de redução de danos. Serviços devem dialogar com necessidades complexas dos usuários.
Como caminho de pesquisa, sugerimos estudos qualitativos sobre projeto de vida, adesão a tratamento e vínculos em recortes territoriais como Porto Alegre.
Para famílias, orientamos buscar ajuda baseada em evidências e ética, manter expectativas realistas e sustentar o cuidado como processo com metas graduais e rede. No centro, está a dignidade da vida.


